Jump to content


Photo

O Que É A Supernova Produções?

snp supernova supernova produções

  • Please log in to reply
3 replies to this topic

#1 emiliobaracal

emiliobaracal

    Novato

  • Membros
  • Pip
  • 8 posts

Posted 23 March 2014 - 09:56 PM

Olá pessoal, tudo bem? 

 

Sei que é grande, mas vale à pena a leitura. Encarem como aquelas entrevistas da Veja ou da Playboy, que são bem longas, normalmente. 

 

(piadas sobre quem lê as entrevistas na Playboy em 3, 2, 1...)

 

Inicio aqui uma série de posts sobre a SNP (para encurtar), que não posto numa postagem só para não ficar grande demais e, portanto, cansativo demais. Farei uma postagem sobre a SNP em geral (que é esta aqui) e uma para cada projeto da SNP. 

 

:: O que é a Supernova Produções?

É uma iniciativa de histórias em quadrinhos com artistas brasileiros com vários objetivos. Criativamente falando, queremos contar as melhores histórias possíveis. Divertir o leitor tanto quanto é divertido fazê-las. Ao mesmo tempo, temos um direcionamento, um objetivo criativo e editorial sobre que tipos de histórias queremos contar, que tipo de assuntos queremos abordar e como desenvolver essas ideias a ponto de tornar tudo coeso e levantar várias questões diante dos leitores. Não queremos dar respostas. Em algum momento pode acontecer, mas não queremos ser os "donos da verdade". O mais legal em uma questão é o debate, não é?

 

Como nossas HQs envolvem majoritariamente heróis fantásticos, queremos que nossas histórias sejam diferentes em seu desenvolvimento. Queremos evitar os grandes clichês e decisões editoriais já estabelecidas. Vejo que algumas já estão datadas, não estão funcionando mais. Outras, acredito que chega a ser uma ofensa ao leitor, de tanto que foram usadas ou foram usadas de forma eticamente e moralmente questionável. Então, a ideia é que vamos pegar as maneiras clássicas de criação desse tipo de personagem, mas desenvolver de maneira diferente, com outras linhas de pensamento.

 

No campo administrativo, claro que queremos lucro. Toda iniciativa com caráter empreendedor visa isso. temos um plano voltado para o esquema "Freemium" de negócios. Uma das fontes que mais usamos como base do nosso plano de negócios encontra-se no livro "Free - O Futuro É Gratis", de Chris Anderson. Nele, Anderson explica como o impacto da internet e dos produtos piratas mudou a forma de consumo das pessoas e como as empresas podem lucrar com essa nova forma de consumo, baseado em prover produtos gratuitamente ou a um preço muito, muito simbólico, obtendo grandes lucros através deles de outras maneiras. Então, nossa vontade inicial é que as HQs digitais da SNP sejam gratuitas e estamos fechando estratégias e maneiras de obter lucro com elas de outros jeitos. 

 

:: Quais são esses outros jeitos de fazer quadrinhos de heróis?

Pode me chamar de inocente, mas acredito que a queda nas vendas de quadrinhos tem menos a ver com preços, estratégias de marketing, distribuição e afins. Claro, cada um desses aspectos influencia, teu seu grau de poder destrutivo nas vendas. Porém, acredito que há algo muito, muito pior e que é sim o principal responsável pela queda de vendas.

 

Brincando com algumas sagas da DC e usando de um velho termo, o problema é crise de criatividade. Em outras palavras, os recursos, truques e macetes usados nas histórias são os mesmos há 234634572342 anos. Não há inovação alguma. Os personagens continuam os mesmos e isso é a morte para uma história ficcional. Uma das coisas que é parte da base de técnicas de roteiro é o fato de que personagem precisam mudar. Ao final de uma história, eles precisam aprender algo, mudar de opinião sobre alguma coisa, desenvolver conhecimento/habilidades novas, ter o curso de sua vida alterado por algo dramático. Isso é básico para cinema, TV, literatura, o que você quiser. Não é o caso, infelizmente, dos quadrinhos de heróis. Vamos ver por que e quais são alguns desses truques são esses? Acredito que nos comentários, muitos leitores vão dizer o que criativamente não aguentam mais. Creio que seria quase uma utilidade pública, não é?

 

Um herói morre. E depois revive. Outro herói morre. Também revive. Mais um herói morre e o que ele faz? Volta do além. Aí morre mais um e adivinha o que os roteiristas fazem? Você entendeu. O recurso da ressurreição banalizou a morte nos quadrinhos. Ninguém mais se importa. Não alavanca vendas como antes. Perdeu o significado. O recurso foi usado e abusado até um nível obsceno (senão mais) e hoje os leitores riem quando um herói morre, isso quando tem alguma reação a esse acontecimento.

 

Morreu? Morreu. Simples assim. A editora se arrependeu de ter matado o herói? Que outro personagem diferente continue o legado. É por isso que o Fantasma é o melhor personagem já criado em todos os tempos. O novo Fantasma não deu certo? Mata, inutiliza ele, sei lá, mas tire ele de lá e coloque um novo na linhagem. Dê a eles um tratamento estilo Batman Beyond ou Peter Parker/Miles Morales. Um novo cujas características foram criadas após cuidadoso estudo sobre o gosto do público atual. Quem você matou foi Peter Parker, não o Homem-Aranha. Quem você matou foi Diana, não a Mulher-Maravilha. O conceito continua vivo. E com uma nova persona no lugar, pode ser atualizado e remodelado para que continue fresco, atual, novo. Enfim, que desperte a curiosidade das pessoas. Encerre a era de Tony Stark e coloque alguém novo que dê um ar fresco ao Homem-de-Ferro. Um personagem esgotou suas possibilidades? Renove-o assim e não através de retcons e reboots. Recontar a origem pela milionésima vez para colocar "elementos novos" não funciona mais.

 

Com um personagem novo continuando o legado de um anterior, você marca uma fase. Olha, temos a fase de Bruce Banner como Hulk. Agora é a fase do quem-quer-que-seja como Hulk. Mas o que Banner fez antes tem grande impacto na vida desse quem-quer-que-seja. O legado, o conceito vive. A história move adiante.

 

Então, essa maneira de lidar com a morte de personagens é apenas um exemplo de como vamos lidar com os clichês dos quadrinhos desse gênero. Retcons, megasagas, crossovers, realidades alternativas... todos esses e os outros clichês serão completamente diferentes no Universo SNP.

 

Alguns na verdade nem existirão, simplesmente não usaremos.

 

Décadas atrás, a DC liderava o mercado de quadrinhos. Seus heróis eram deuses, figuras mitológicas acima dos mundanos humanos normais e suas peripécias e aventuras encantavam e impressionavem os leitores. Aí surgiu a Marvel, com uma nova e fantástica abordagem: trazer para perto do leitor os heróis. Agora os leitores sentiam que eles poderiam ser heróis ao conhecer Peter Parker, Donald Blake, Matt Murdock e outros.

 

Acredito então que o mercado de quadrinhos atualmente precise de outro evento de igual importância como foi o surgimento da Marvel na década de 60. E acredito que isso só ocorrerá se novamente tivermos novos conceitos ou lidarmos com os velhos conceitos de maneira nova e imprevisível.

 

:: E como pode descrever o plano de negócios da SNP?

Prefiro ainda não dar muitos detalhes. As coisas podem mudar. De fato, nos bastidores, muitas coisas mudaram, o plano de negócios sempre foi exaustivamente discutido. Muitos esboços de ideias foram feitos. Coisas que eu achava que teriam que ser daquele jeito acabaram mudando. Como disse, a ideia inicial é que as HQs digitais sejam gratuitas. Isso não significa que não teremos em versão impressa. Teremos, mas será sob demanda. O foco é em lançar as HQs digitais. Conforme um arco é publicado, ele se tornará disponível para impressão sob demanda. A cada mês faremos a relação dos pedidos, imprimindo apenas os pedidos do mês, evitando encalhe ou algo assim. Assim, o leitor que tiver a HQ digital mas que gosta de fazer uma coleção, poderá tê-la em versão encadernada na sua estante. Claro que a impressão sob demanda não será a única e muito menos a principal fonte de renda da SNP.

 

Mesmo o único exemplo de sucesso que temos no meio, a Maurício de Sousa Produções, não vive apenas das vendas de suas mais do que consolidadas HQs. 70% do lucro deles vem de marketing, produtos relacionados aos personagens deles. A ideia é combinar a parte de distribuição digital e impressa com marketing, resumidamente falando.

 

Com base nisso, temos vários objetivos a serem alcançados. Um deles é o de criar uma base sólida para a SNP a ponto de gerar vagas de trabalho. A SNP não é só formada por criadores de quadrinhos, mas também por publicitários, programadores, revisores e outros tipos de profissionais que dão suporte ao projeto todo. Então sim, para um futuro a longo prazo, queremos sim que tudo torne-se sólido o bastante para virar uma empresa geradora de empregos tanto criativos quanto administrativos. Leva tempo, muito tempo, mas precisa ser feito e quanto antes começamos, antes alcançamos.

 

No momento não estamos trabalhando com nenhuma editora, mas conversas foram iniciadas, então tudo pode acontecer. Como cada editora tem uma maneira de trabalhar, este é um exemplo de como o plano de negócios pode mudar.

 

O formato de nossas HQs serão as de 24 páginas por capítulo. A ideia é que o primeiro arco de cada série, com histórias de origem, tenha 8 capítulos. Depois de finalizado esse arco, queremos fazer arcos com no máximo 4 capítulos. Ou seja, teremos arcos com 2 capítulos, 3 capítulos ou 4 capítulos, não mais do que isso. Não queremos aquelas histórias que se prolongam por eras, como a Saga do Clone ou a Queda do Morcego. E sem tie-ins.

 

Nossa distribuição, se mantivermos os planos de HQs digitais gratuitas combinadas com impressão sob demanda, atenderá todo o Brasil. Isso acontece porque bastará você estar conectado e com um perfil no ainda inédito site da SNP para ter acesso às HQs digitais, como uma coleção virtual. Ao obter a versão impressa, por ser sob demanda, é só realizar o pedido que enviaremos para qualquer lugar que o leitor more.

 

Quero aproveitar para dizer que a SNP não vê apenas o mercado brasileiro. Nossa intenção é que as HQs digitais estejam traduzidas para vários idiomas, começando pelo inglês. Queremos com o tempo, chegar também ao espanhol, francês, chinês e japonês. O espanhol é por conta da Espanha e países da América Latina. O francês atende França, Bélgica, Canadá, Guiana Francesa e países com histórico de colônia francesa na África. O japonês, por ser um mercado muito forte. E o chinês... convenhamos, é muita gente que pode ser alcançada. 

 

 

Planejamos também lançar os projetos no Catarse para as primeiras e exclusivas versões impressas de luxo, contendo itens bacanas para quem colaborar. Então o pessoal que ajudar através do Catarse tornará as HQs digitais do primeiro arco de cada título uma realidade e em troca, ganharão muitos bonus bacanas que só eles terão. Exclusividade total e não falamos apenas de prêmios materiais, mas muitas coisas personalizadas.

 

 

:: Como acha que estrangeiros podem receber o material da SNP? Digo, no sentido de abraçar a ideia?

Não pensamos em "heróis brasileiros". Pensamos em heróis, ponto. Hoje, eles precisam ser universais. Estamos em um mundo onde as fronteiras estão ficando cada vez mais apenas na política e mesmo nessa esfera de atuação, há questionamentos.

 

A Globalização, do ponto de vista político, está cada vez mais fragilizada. Esse é um dos erros, a meu ver, das editoras americanas. O mundo está cada vez mais conectado, hoje você pode falar agora com alguém da Suécia e cinco minutos depois, com alguém da Turquia, dali a meia hora com alguém do Japão. Se há um idioma entendido por ambas as partes e com as facilidades da internet, todo o resto cai por terra.

 

Então, porque essas editoras continuam agindo localmente? Por que continuam criando histórias tendo foco apenas para eles? A única resposta que consigo imaginar é a da imposição cultural. E em um mundo cada vez mais antiamericano, não é à toa que as vendas estejam baixas, mesmo entre eles. Muitos americanos estão acordando para o fato de que não são o centro do universo. O 11 de setembro e a crise econômica de 2008 somadas as decisões envolvendo as guerras no Oriente Médio estão tirando a hegemonia americana perante o mundo em diversas frentes. Claro, eles ainda são a cereja do bolo, mas o chantili não está aguentando mais peso e a cereja pode cair a qualquer momento. Há um abalo. Fora, claro, as manias editoriais ruins que já citei, que acho que é tratar o leitor como imbecil, vamos assim dizer.

 

Então não quero fazer o mesmo. Não quero fazer "heróis brasileiros". Não quero impor qualquer visão da cultura brasileira para o resto do mundo. Aliás, em muitos aspectos, nem temos uma cultura direito. O imperador Dom Pedro II, em uma tentativa de criar uma cultura única e original em nosso povo, colocou em prática um plano de pegar muitos mitos indígenas e mesclar com algumas sabedorias populares dos europeus para isso, criando o nosso folclore, você sabia disso? Sim, o folclore foi pura decisão e estratégia política. Ele foi imposto em nossas escolas para, aos poucos, ser absorvido pela população como um aspecto cultural brasileiro e isso só explodiu, de fato, na década de 70. Então é um exemplo do quão recente somos como povo. Claro que os americanos tem mais ou menos a mesma idade que nós, mas os rumos que seu povo e nação tomou criou uma diferenciação enorme em relação a nós nesse campo.

 

Outra coisa é que as pessoas gostam de ser surpreendidas, de ver algo diferente. Mesmo que seja algo que já conhecem, mas revisto de uma forma diferente, inesperada. Então acredito que leitores ao redor do mundo, ao ver que a SNP lida com as histórias, personagens e abordagens de outra maneira vão abraçar a ideia.

 

Não é com isso, esses personagens que vou trabalhar, mas vou fazer uma metáfora da coisa: uma coisa é lidar com histórias de lobisomens. O mundo está cansado de saber quais características tem essa maldição. Mas quando você apresenta algo como o curupira, com certeza um estrangeiro irá querer conhecer aquilo que é diferente. É como Matrix. Quando o primeiro filme saiu, explodiu cabeças. Era diferente de tudo que já tínhamos visto no alcance da massa. Claro que Matrix teve inspirações de diversas fontes, como Ghost In The Shell, entre outras, mas essas fontes sempre foram restritas a nichos. Só fãs de mangás e animês conheciam Ghost In The Shell. Matrix tem muitas ideias parecidas, mas devido às suas características - ser um filme de Hollywood, ter atores famosos, um grande estúdio por trás, atingiu as massas e muita gente viu aquilo como algo quase 100% inédito quando não era.

 

 

Em outras palavras, creio que sim, os estrangeiros podem abraçar facilmente as ideias da SNP porque não nos vemos como algo intrinsecamente brasileiro. Pensamos em sermos universais.

 

:: E como foi o início da SNP?

Sempre tive essa vontade desde que me conheço por gente. Acredito que a criatividade é algo infinitamente poderoso e não precisamos ficar restritos somente às mesmas fontes de tipos de personagens e histórias. Comecei a estudar HQ por volta de 1994 e por volta de 1996 já pensava nisso. De uma ou outra maneira, tentei fazer algo que lembre remotamente o que é o projeto hoje, mas me faltava know how, entre outras coisas. Vi que precisava me aprimorar, estudar muita coisa além do mercado de quadrinhos, a produção de uma revista, entre outras coisas.

 

Então, fui estudar publicidade, administração, história, entre outras coisas. Meu objetivo era dar uma base sólida para o projeto tanto do lado criativo quanto do administrativo. Dessa forma, li toneladas de livros dessas e de outras áreas, como filosofia, sociologia, jornalismo, antropologia, ufologia e muitas outras áreas. Fiz anotações, separei informações, conversei com profissionais e professores universitários dessas áreas, procurei cair de cabeça nisso tudo. Tinha o foco de criar o melhor projeto possível do ponto de vista dos negócios e também lidar com um grande problema das HQs nacionais: a falta de histórias de ação, ficção-científica e outras por aqui.

 

Não acredito e nunca acreditei que não seja possível contar essas histórias aqui. Após estudar roteiro durante muitos anos e me tornar roteirista de profissão, me convenci ainda mais disso. A matéria-prima de qualquer história é o conflito. E no Brasil temos toneladas deles. Vamos analisar nossa história. Vamos ver como nos desenvolvemos desde a época do Descobrimento. Como é nosso povo hoje? Como é nossa sociedade hoje? Quais foram nossos problemas no passado? Quais deles resolvemos e quais não conseguimos ainda resolver? Dos que resolvemos, como resolvemos? Essas soluções criaram novos problemas? Como somos hoje e o que estamos enfrentando? Como somos como povo, como sociedade? O que queremos para nosso futuro? É com foco nessas perguntas que procurei reunir muitas informações e pesquisas sobre o nosso país e é com foco nessas perguntas que as histórias da SNP são desenvolvidas.

 

No futuro site da SNP, ainda em desenvolvimento, a cada novo capítulo, colocaremos uma espécie de "making of" do capítulo em si, mostrando de onde tiramos algumas informações usadas no roteiro. Muitas delas serão de links de notícias de grandes portais. Isso mostrará e justificará, através de acontecimentos reais, o que acontece nas histórias de nossos personagens. Ao dar essa base calcada na realidade, teremos muito mais credibilidade no que será escrito. Algum leitor pode ter até participado de um acontecimento reportado pela imprensa e se sentir incluído na história. Ele é testemunha de um acontecimento que usamos e ao ver nas histórias aquilo sendo usado, claro que se sentirá mais familiarizado e empolgado, tenha certeza.

 

Há muita coisa acontecendo no Brasil e mesmo no passado, encontramos coisas importantes que podem ser usadas como histórias de heróis. Kennedy cogitou invadir o Brasil pouco antes da Ditadura Militar. Por conta dela, não precisou. Como não usar algo assim, entende? Veja hoje a repercussão da espionagem americana através das denúncias de Edward Snowden. Temos um acelerador de partículas em Campinas. Temos um cientista que está chegando bem aos poucos cada vez mais perto da telepatia, que é o Miguel Nicolelis. Veja Tropa de Elite e pense em como a simples visita do Papa influenciou toda uma gama de acontecimentos. É dessa maneira que iremos tratar as histórias, é desse tipo de coisa que a minha pesquisa de anos mostrou pra mim que é o caminho para que no Brasil possamos contar histórias que dizem ser impossíveis de contar. O impossível só o é para aqueles que acreditam nisso. E por não acreditar, não fizeram.

 

Se quer ver mais sobre os trabalhos da SNP, eis nossa página no Facebook:

https://www.facebook.com/supernovahq

 

No momento estamos com uma vaquinha que pode ser vista aqui:

http://centraldequad...con-experience/

 

 



#2 Cloves Rodrigues

Cloves Rodrigues

    Cloves Rodrigues

  • Moderadores
  • 2,958 posts

Posted 05 July 2014 - 11:32 PM

Cara, eu acho muito massa o trabalho de vcs

#3 Rogério Guerreiro

Rogério Guerreiro

    Avançado

  • Membros
  • 297 posts

Posted 06 July 2014 - 07:21 PM

Seu texto é longo (sem críticas, pelo contrário... ele tem conteúdo), então vou dar quote em alguns trechos e comentar:

 

 

 

Sei que é grande, mas vale à pena a leitura. Encarem como aquelas entrevistas da Veja ou da Playboy, que são bem longas, normalmente.
(piadas sobre quem lê as entrevistas na Playboy em 3, 2, 1...)

 

Já que ninguém comentou esta, não resisti: me lembrou os humoristas da Casseta & Planeta que diziam "ler Playboy apenas para ver as entrevistas nuas" :-D :-D

 

 

 

Brincando com algumas sagas da DC e usando de um velho termo, o problema é crise de criatividade. Em outras palavras, os recursos, truques e macetes usados nas histórias são os mesmos há 234634572342 anos. Não há inovação alguma.

 

Totalmente verdadeiro. O que me parece haver é um "eterno reload", como nos filmes do Batman: na produção de 1980, por exemplo, a história era fiel às origens... já nas mais recentes, transformaram-no num aprendiz de ninja. Ou fazem mudanças sem muito sentido. O personagem Homem de Gelo, um dos X-Men originais foi depois transformado num adolescente na tal "escola dos super-dotados". Fora a questão dos "heróis equivalentes"

 

 

 

Sim, o folclore foi pura decisão e estratégia política. Ele foi imposto em nossas escolas para, aos poucos, ser absorvido pela população como um aspecto cultural brasileiro e isso só explodiu, de fato,na década de 70. Então é um exemplo do quão recente somos como povo. Claro que os americanos tem mais ou menos a mesma idade que nós, mas os rumos que seu povo e nação tomou criou uma diferenciação enorme em relação a nós nesse campo.

 

Grande parte do nosso problema vem do fato de que o "pensamento empresarial" seja recente no Brasil. A industrialização só começou aqui, em grande escala, depois de 1929, enquanto nos EUA ela iniciou muito antes. Uma das consequências disso é que ser desenhista não é encarado como profissão pelo povo, como discutido aqui.

 

 

 

Não é com isso, esses personagens que vou trabalhar, mas vou fazer uma metáfora da coisa: uma coisa é lidar com histórias de lobisomens. O mundo está cansado de saber quais características tem essa maldição. Mas quando você apresenta algo como o curupira, com certeza um estrangeiro irá querer conhecer aquilo que é diferente.


 

Não acredito e nunca acreditei que não seja possível contar essas histórias aqui. Após estudar roteiro durante muitos anos e me tornar roteirista de profissão, me convenci ainda mais disso. A matéria-prima de qualquer história é o conflito. E no Brasil temos toneladas deles.

 

Uma editora brasileira que procurava publicar HQs diferentes era a editora Vecchi, nos anos 1970/1980. Suas histórias de terror incluiam muitos elementos nacionais como os cangaceiros. Eu lembro de uma delas, onde um cangaceiro encontrava um bruxo amaldiçoado pelo deus indígena Anhangá. Também tratavam da violência urbana e do desemprego da época. Eles chegaram a lançar, inclusive, uma edição especial com HQs combinando terror e ficção científica. Pena que a Editora faliu...


• • Aprender Desenho: "Por onde devo começar?" Leia e saiba! • •

 

 

 

 

"A vida não é uma viagem em si. Não é uma meta. É um processo: a gente chega lá passo a passo. E se cada passo for maravilhoso, se cada passo for mágico, assim será a vida."
 

Leo Buscaglia
 

 

 


#4 Zelador

Zelador

    Thiago Cruz

  • Membros
  • 1,231 posts

Posted 28 November 2014 - 11:37 PM

Incrível a iniciativa de vocês.

 

Acho um grande incentivo cultural a produção de HQs nacionais. Toda vez que lembro de Turma da Mônica e Holy Avenger, me ocorre a certeza de que, com um bom produto, é possível fazer algo a mais neste país - em se tratando de produção cultural.

 

De fato, a questão da diferenciação das ideias é algo muito relevante. E acho que o mercado hoje em dia anda muito carente de mentes pensantes, capazes de criar novos referenciais e conceitos. Até mesmo no cinema, trabalha-se muito com as mesmas coisas: os mesmos heróis, as mesmas séries, quase sempre amparadas nas produções dos criadores das antigas. É como se o mundo hoje em dia não tivesse mais pessoas capazes de criar, mas apenas fazer releituras do que existe e que todo mundo já está careca de saber.

 

Adorei a produção artística: ótimos desenhos. Dignos realmente de uma publicação internacional!

 

Continuem o belo trabalho! Eu acredito que é possível, tanto que estou trabalhando no meu projeto pessoal.

 

Grande abraço a todos e parabéns pela iniciativa!


Z6ZgmzG.png

"Monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, vencem."

 

SketchBookxsHr5ZW.pngDeviantartxsHr5ZW.pngPortfólio 1xsHr5ZW.pngPortfólio 2

 

 






Also tagged with one or more of these keywords: snp, supernova, supernova produções