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Anarquia, Série Da Supernova Produções

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#1 emiliobaracal

emiliobaracal

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Posted 23 March 2014 - 10:34 PM

Olá pessoal, tudo bem? 

 

Sei que é grande, mas vale à pena a leitura. Encarem como aquelas entrevistas da Veja ou da Playboy, que são bem longas, normalmente. 

 

(piadas sobre quem lê as entrevistas na Playboy em 3, 2, 1...)

 

Inicio aqui uma série de posts sobre a SNP (para encurtar), que não posto numa postagem só para não ficar grande demais e, portanto, cansativo demais. Já fiz uma postagem sobre a SNP em geral, que é esta aqui: http://centraldequad...nova-producoes/ e uma para cada projeto da SNP. Agora falo de Anarquia. 

 

 

:: E sobre Anarquia? O que pode falar dela?

Ainda pensando naquela questão da falta de credibilidade científica para justificar certas coisas no Universo SNP, estabeleci que a tecnologia um pouco mais avançada não seria exatamente desenvolvida aqui. Na verdade, teria duas fontes. A primeira é alienígena. Mais fácil justificar assim tendo um caso como o de Varginha. A segunda é estrangeira. Tecnologia de nações mais avançadas, como EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra e outras seriam roubadas e viriam parar aqui, sofrendo modificações. Algumas com sucesso, outras nem tanto. Assim acredito que fica mais aceitável que não sejamos um país tão tecnológico quantos outros mas mesmo assim aparecer algumas coisas nas nossas histórias.

Um exemplo acontece em Anarquia.

 

Décadas atrás, a KGB desenvolvia um plano de criação de super-assassinos como uma das armas para vencer a Guerra Fria. Devido a uma série de infortúnios, os planos foram engavetados, mas descobertos por um espião inglês que acabou vindo para o Brasil para se esconder. Entretanto, as autoridades o descobriram e, com ele, os planos soviéticos.

Tudo envolvia um chip.

 

 

Adriana Katsumoto, santista descendente de japoneses, não é uma pessoa comum. Através de um misterioso chip implantado no cérebro que controla a produção e distribuição de adrenalina, ela pode ficar temporariamente mais forte, mais rápida, mais ágil, com maiores reflexos e raciocínio. Mas ao mesmo tempo, pode ser sua perdição, pois a descarga por tempo prolongado pode causar uma hemorragia cerebral.

 

Ela foi uma das primeiras crianças órfãs a serem adotadas por oficiais do exército para serem submetidas à cirurgia de implantação do chip cerebral e, consequentemente, serem treinadas para matar. Durante toda sua vida, Adriana foi, sem perceber, sendo manipulada para fins de se tornar a arma perfeita. Esse projeto foi o primeiro do governo brasileiro a fins de defender suas fontes de energia, até que ocorreu o Caso Varginha e então o foco foi mudado. Seus gostos – como artes marciais, filmes de guerra, história (onde há muitos conflitos), armas de fogo e afins – sempre foram muito incomuns para uma garota, mas tudo sempre foi parte de um programa de condicionamento mental com a ajuda do chip.

Como forma de teste inicial após seu pai iniciá-la nas artes marciais, Adriana começou a competir, pegando gosto pela atividade. Sem ela saber, devido ao chip nunca perdeu uma luta, ganhando vários títulos em vários estilos, tendo uma fama já de porte regional como uma nova promessa para futuras Olimpíadas. Apesar de ela gostar disso, ainda não está se sentindo completamente realizada, buscando algo mais sério e significativo. Algumas faculdades a interessam, mas está completamente indecisa.

 

Tudo irá mudar na vida dela quando um homem conhecido como “Caolho” irá procurá-la, tendo seus motivos para revelar o passado obscuro dela. Inicialmente descrente, Adriana acabará se envolvendo em uma trama de espionagem onde não sabe em quem poderá confiar e nem quem mais ela é na verdade. E quando a verdade vier à tona, sua ânsia por se livrar de tudo isso e ter o controle real de sua vida e ao mesmo tempo uma satisfação por vingança, Adriana irá criar Anarquia, um alter-ego que causará muita dor de cabeça ao alicerces do poder no país. Ao saber a verdade sobre sua vida, ela fica enojada. Porque sua consciência não entrou em acordo com "um mundo assim". E por não concordar com o posicionamento e comportamento do povo brasileiro diante de tanta falta de ética, moral, sensatez e bom senso.

Adriana soube a verdade através de um velho ex-membro das Forças Especiais do Exército Brasileiro, a elite das Forças Armadas nacionais. Caçado por traição justamente devido ao esquema que manipulou não só Adriana, mas outras pessoas, Carlos "Caolho" não podia mais viver com um grande peso na consciência. Ele manteve-se fugindo e se escondendo das autoridades brasileiras por anos.

 

Uma guerra furiosa pelo futuro da sociedade está em andamento. Para a maioria, essa guerra é invisível. De um lado, uma rede de governos e corporações que espionam tudo o que fazemos. De outro, os cypherpunks, ativistas e geeks virtuosos que desenvolvem códigos e influenciam políticas públicas. Isso é, essencialmente, o que foi revelado pelo ex-analista da NSA, Edward Snowden.

 

Todo mundo sabe que o petróleo orienta a geopolítica global. O fluxo de petróleo decide quem é dominante, quem é invadido e quem é excluído da comunidade global. O controle físico até mesmo de um segmento de oleoduto resulta em grande poder geopolítico. E os governos que se veem nessa posição são capazes de conseguir enormes concessões.

De tal forma que, em um só golpe, o Kremlin é capaz de condenar o Leste Europeu e a Alemanha a um inverno sem aquecimento. E até a perspectiva de Teerã abrir um oleoduto do Oriente até a Índia e a China é um pretexto para Washington manter uma lógica belicosa. A mesma coisa acontece com os cabos de fibra óptica. A próxima grande alavanca no jogo geopolítico serão os dados resultantes da vigilância: a vida privada de milhões de inocentes.

O mundo não está deslizando, mas avançando a passos largos na direção de uma nova distopia transnacional. Esse fato não tem sido reconhecido de maneira adequada fora dos círculos de segurança nacional. Antes, tem sido encoberto pelo sigilo, pela complexidade e pela escala. A internet, nossa maior ferramenta de emancipação, está sendo transformada no mais perigoso facilitador do totalitarismo que já vimos. A internet é uma ameaça à civilização humana.

 

Essas transformações vêm ocorrendo em silêncio, porque aqueles que sabem o que está acontecendo trabalham na indústria da vigilância global e não têm nenhum incentivo para falar abertamente. Se nada for feito, em poucos anos a civilização global se transformará em uma distopia da vigilância pós-moderna, da qual só os mais habilidosos conseguirão escapar. Na verdade, pode ser que isso já esteja acontecendo.

 

À medida que os Estados se fundem com a internet e o futuro da nossa civilização se transforma no futuro da internet, devemos redefinir as relações de força. Se isso não for feito, a universalidade da internet se fundirá com a humanidade global em uma gigantesca grade de vigilância e controle em massa.

 

Se olharmos para a internet do ponto de vista das pessoas no poder, os últimos vinte anos foram aterrorizantes. Elas enxergam a internet como uma doença que afeta sua capacidade de definir a realidade, definir o que está acontecendo, o que, por sua vez, é usado para definir o que as pessoas sabem sobre o que está acontecendo e a capacidade delas de interagir com a realidade. Se olharmos para, digamos, a Arábia Saudita, onde por algum acidente histórico os líderes religiosos e os donos da maior parte do país são as mesmas pessoas, o interesse deles na mudança é praticamente zero. Entre zero e menos cinco, talvez. Eles veem a internet como uma doença e perguntam a seus conselheiros: “Vocês têm algum remédio contra essa coisa? Precisamos nos imunizar caso isso afete o nosso país, caso esse negócio de internet chegue aqui”. E a resposta é a vigilância em massa: “Precisamos controlar isso completamente, precisamos filtrar, precisamos saber tudo o que eles estão fazendo”. E foi o que aconteceu nos últimos vinte anos. Houve um investimento gigantesco em vigilância porque as pessoas no poder temiam que a internet pudesse afetar seus métodos de governança.

 

E os métodos de governança deles é a corrupção. Nunca antes a corrupção foi tão escancarada. Eles querem continuar roubando e pra isso precisam retomar o controle que a internet os fez perder.

 

Na antiga Alemanha Oriental, as pessoas eram recompensadas por participar do Stasi, o órgão de segurança daquela nação, revelando suas informações. E hoje são recompensadas por participar do Facebook. Só que no Facebook elas são recompensadas com créditos sociais – ir para a cama com a vizinha – em vez de serem pagas diretamente. E é importante relacionar esse fenômeno com o aspecto humano, porque ele não se restringe à tecnologia, é uma questão de controle por meio da vigilância. Em certos aspectos, é o panóptico perfeito.

 

Atualmente tenho visto uma militarização do ciberespaço, no sentido de uma ocupação militar. Quando nos comunicamos por internet ou telefonia celular, que agora está imbuída na internet, nossas comunicações são interceptadas por organizações militares de inteligência. É como ter um tanque de guerra dentro do quarto. É como ter um soldado entre você e a sua mulher enquanto vocês estão trocando mensagens de texto. Todos nós vivemos sob uma lei marcial no que diz respeito às nossas comunicações, só não conseguimos enxergar os tanques – mas eles estão lá. Nesse sentido, a internet, que deveria ser um espaço civil, se transformou em um espaço militarizado. Mas ela é um espaço nosso, porque todos nós a utilizamos para nos comunicar uns com os outros, com nossa família, com o núcleo mais íntimo de nossa vida privada. Então, na prática, nossa vida privada entrou em uma zona militarizada. É como ter um soldado embaixo da cama. É uma militarização da vida civil.

 

Um celular, por exemplo, não é um telefone. Um celular é um dispositivo de monitoramento que também faz ligações.

É contra a vigilância em massa e a corrupção que Anarquia lutará contra.

 

:: É bem diferente do que eu tinha imaginado. A primeira impressão que passa é que tem muita influência de V de Vingança, mas vendo assim, é bem diferente.

Digo que V de Vingança é minha história preferida do Alan Moore. Mas a semelhança de ter uma personagem principal com máscara baseando-se em um ideal é a única. V de Vingança é sobre um homem que teve sua vida destruída ao ser usado contra sua vontade como cobaia de experimentos que acabaram com seu corpo. Ele então passa a investigar os podres dos envolvidos - que agora estão no poder - e usa-os de uma maneira que os prejudique e, para lidar com esses gigantes do poder, incita o povo à revolta.

 

Anarquia não. Primeiro, ela irá criticar não só os poderosos, mas também o povo brasileiro por seu comportamento apático. Segundo, diferente de V, que tem motivações puramente pessoais, Anarquia tem motivações pessoais, mas vê que o cenário geral é muito maior do que ela e sente-se impelida a fazer alguma coisa para mudar isso. V de Vingança lida com eventos passados que afetam o presente. São os crimes cometidos em Larkhill e sobre como esses eventos levaram certas pessoas inescrupulosas ao poder. O inspetor Finch vive investigando isso. Com Anarquia é diferente. É o agora. É o problema da vigilância em massa. É uma guerra silenciosa que estamos perdendo. Em V de Vingança há um governo ditatorial, um governo imposto. Ao usar celulares e redes sociais, estamos caminhando voluntariamente para uma distopia. É muito mais assustador.

 

Entendo que o visual e uma descrição resumida cause a impressão de algo na mesma linha de V de Vingança, mas tenho plena confiança que, assim que as histórias forem publicadas, os leitores verão que é bem diferente.

 

:: O que pode falar sobre a personagem principal?

Começamos vendo Adriana como uma inconformada perdida. Ela não sabe o que vai fazer da vida, que rumo ela vai tomar, que faculdade fará. A história começa 3 anos antes de ela criar a persona de Anarquia, está com 18 anos de idade. Ela tem lapsos de memória causados pelo chip. Ás vezes ativa-o sem querer e sem saber o que é e às vezes ativa-o conscientemente. Quando ativa sem saber, ela tem apenas fragmentos do que fez que, para ela, parecem sonhos ou pesadelos. Quando está consciente, devido a um zumbido, acha que está com algum problema auditivo. E isso é algo que a incomoda muito.

 

Ela foi criada apenas pelo pai. A família Katsumoto mora em um sobrado. Quando Adriana tinha 5 anos de idade, a mãe caiu e rolou pela escada que leva do piso superior ao inferior, feriu-se e entrou em um coma, estado em que encontra-se até hoje. Adriana sempre sentiu então a falta de uma figura feminina. E o pai sendo militar, a criação dela não foi fácil. Atritos aconteceram. Ela tem problemas com autoridades.

 

Depois que descobre a verdade por trás de sua vida, ela precisa ganhar o controle dela. Então precisa ver como lidar com o chip, aprender a controlá-lo. E Caolho será de fundamental ajuda nisso, além de treiná-la. Ele é um ex-soldado das Forças Especiais do exército, o top de nossas Forças Armadas. Em comparação, eles seriam os nossos Navy Seals. Após isso, ela tem a ideia da persona de Anarquia para lidar com a corrupção no país e com a vigilância em massa dos poderosos.

 

Adriana é imaginativa, liberal, curiosa, tende a gostar de variedade, organizada, pontual, responsável. Em compensação, ela pode ser cruel, crítica e rude.

 

:: E os personagens secundários da série?

O primeiro é o pai de Adriana, o major Matheus Katsumoto. Envolvido desde o início no Projeto Despertar, projeto secreto do governo brasileiro baseado em um roubado projeto russo da época da Guerra Fria.

 

Para levar o projeto adiante, bebês órfãos foram adotados por militares para servirem de cobaias. Os verdadeiros familiares de Adriana morreram em um incêndio quando ela não tinha nem um ano.

 

Ele foi escolhido em especial devido ao governo ter a necessidade de um homem competente e exemplar como ele dentro do Projeto Despertar. O difícil foi achar uma criança órfã descendente de japoneses. Após algum tempo apareceu uma em um orfanato e eles não perderam a chance, dando ordens a ele para que adotasse a recém-nascida. Ainda assim, não levou muito tempo para que ela acabasse amando Adriana como se fosse sua própria filha e que se dependesse dela, a criança ainda teria seu lado humano quando crescesse, apesar de todo o condicionamento e manipulação.

 

Depois de um grave e intenso problema familiar, Matheus jurou nunca mais perder o controle e tenta manter Adriana o mais longe possível – embora seja muito difícil – do controle do exército. E dia após dia ele reza pelo retorno – e consequentemente, perdão – de sua mulher.

 

Matheus sempre foi um homem de ordem, de precisão. Ele odeia o caos e a bagunça. Para ele, a partir do momento em que a ordem está imposta, tudo se torna previsível e, portanto, seguro, evitando-se os problemas. Porém, ao lidar com a questão da criação de Adriana, chegou um momento em que ele está sentindo que o mundo não é exatamente assim. Ele apegou-se à menina e para ele, ela é sua filha. E é esse forte sentimento que o está fazendo questionar o modo como sempre viveu. Para o exército, Adriana é uma arma, uma ferramenta e ele a enxergava da mesma forma no começo. Porém, a convivência mudou tudo. Ele agora a vê como um ser humano, uma filha verdadeira, mesmo não sendo seu sangue. Tudo o que Matheus quer é dar um jeito de tirar Adriana das mãos do exército brasileiro sem causar transtorno nenhum para si e para sua família.

 

Depois temos Carlos “Caolho” Torres, que é um sobrevivente. Ele é um homem tão procurado pelas autoridades brasileiras que elas o mantém fora da mídia a todo custo devido aos segredos ao qual ele está ligado. O país não sabe que ele existe. Seu passado é cheio de fatos tenebrosos – dos outros – para que sequer haja alguma menção a ele.

Ele nada mais é do que um ex-militar das Forças Especiais do exército brasileiro. Foi ele que comandou o pelotão que capturou o espião inglês que entrou ilegalmente no país portando o experimento russo no qual Adriana seria submetida.

Naquela altura do campeonato, Carlos já sabia do que se tratava o experimento e tinha certeza de que seus superiores iriam querer usufruir de tal descoberta de qualquer maneira. E eles também sabendo disso, Carlos foi um dos homens – a contragosto - que formou o grupo que iria escolher as crianças e os militares que iriam adotá-las. Querendo um possível aliado caso as coisas fugissem do controle, Carlos queria ter ao seu lado seu melhor amigo e a única pessoa em quem confiava: Matheus Katsumoto. Dessa forma, fez de tudo para convencer seus superiores de que Matheus era um dos oficiais ideais para participarem do Projeto Despertar.

 

Em um dado momento, as discordâncias entre Carlos e os demais cabeças do programa militar chegaram a tal ponto que Carlos tentou de todas as maneiras – burocráticas, claro – de acabar com o andamento de tudo. Os outros, claro, não gostaram, expulsando-o do projeto. Não vendo outra alternativa e sentindo remorso em relação às crianças, tentou sabotar tudo, mas sem sucesso. Tido como traidor, tentaram capturá-lo, onde acabou sendo ferido em um dos olhos, ficando parcialmente cego. Hoje usa às vezes um tapa-olho, daí seu apelido, "Caolho". E às vezes usa óculos com uma das lentes sendo escura.

 

Ainda procurado por traição, tanto seus superiores quanto ele mesmo cuidaram de apagar seu passado. Eles, para não ter nenhuma prova de uma mancha negra nas atividades militares e ele, para que ninguém pudesse rastreá-lo. Os militares sabiam que isso acabaria beneficiando-o, mas os possíveis ganhos compensavam as perdas. Atualmente Carlos se dedica a descobrir os podres dos militares e figuras de poder, distribuindo-os na mídia na intenção de revelar tudo. Seu objetivo inicial é acabar com o Projeto Despertar e ele vê em Adriana uma ferramenta perfeita para seus planos. E ela a acompanhou a vida inteira, esperando pelo momento certo de fazê-la entrar nos planos dele.

 

O problema é que desde que se tornou um traidor, ele e Matheus não se falam mais. E estando na casa dos quarenta para cinquenta anos de idade, o tempo está passando e ele precisa agir rápido se quiser atingir seus objetivos.

Carlos, como soldado, sempre foi uma das armas secretas das Forças Especiais, exatamente como diz o lema deles: "Qualquer missão, a qualquer hora, em qualquer lugar, de qualquer maneira". Carlos seguia à risca tal mentalidade. Porém, tentou sabotar pela primeira vez o Projeto Despertar, pois achou uma atrocidade o que faziam com as crianças. Não demorou muito e descobriu algumas outras barbaridades que as Forças Armadas e o Governo escondem. Sentindo-se enojado por ter feito parte daquilo durante sua vida inteira, hoje dedica-se a desmantelar e expor todos os podres das autoridades brasileiras, usando de seu altamente qualificado treinamento. Além disso, sente falta de Matheus, seu melhor amigo, pois a amizade entre eles acabou depois da primeira tentativa de sabotagem do Projeto Despertar.

Devido à sua natureza bélica, Carlos tende a ser um terrorista anárquico, embora não pense assim de si mesmo. Ele é um estrategista nato e, portanto, nunca entra em uma situação se não tiver, no mínimo, três maneiras de se dar bem ou sair caso algo dê errado. Gosta e procura pensar de forma a estar sempre um passo à frente de todos. Suas medidas de segurança, evasão e privacidade mostram uma tendência paranoica que, mais uma vez não vê dessa forma, adotando o que prefere chamar de "comportamento de auto-preservação". Como os "inimigos" - que é assim como ele vê tais pessoas/organizações - são muitos e poderosos, Carlos precisa agir nas sombras.

 

Já Marcelo Tavares é um habilidoso hacker. E acaba cruzando o caminho de Anarquia por estar no lugar errado e na hora errada. Ele é o único que possui a prova de um grande esquema de corrupção perpetuado por um juiz, políticos, vários empresários e outras autoridades. Tendo sua cabeça a prêmio, ele acaba sendo de grande valia para Anarquia, que passa a salvá-lo dessas ameaças. Sentindo-se em eterno débito com ela, Marcelo passa a oferecer seus serviços de informática gratuitamente. Vira um colaborador. Acaba embrenhando-se cada vez mais no submundo hacker. Marcelo é um nerd de carteirinha, daqueles capaz de decorar as frases de episódios inteiros de Babylon 5 ou explicar a Teoria das Cordas de dez maneiras diferentes, no mínimo. É bem humorado, espirituoso e simpático. Costuma fazer piadas para esconder o medo e a timidez.

 

Marcelo não é um hacker simplesmente porque gosta de computadores e tecnologia e por isso aprende tudo o que for possível. Claro, tudo partiu inicialmente, da diversão. Mas depois viu que poderia fazer muito mais do que brincadeirinhas informatizadas. Viu que poderia fazer a diferença. Em suas invasões digitais tomou conhecimento de muita coisa e acha que o mundo deve saber das coisas nefastas que os poderosos e autoridades escondem de um povo que trabalha, sofre e paga para sobreviver em seus impostos. Porém, como não é rico e nem tem como se garantir caso algo fosse dar errado, se conformava com o fato de jamais pudesse fazer a diferença que tanto queria.

 

"Aquele que pode mais, chora menos". É assim que Marcelo vê o mundo, mas isso não significa que ele tenha que fazer os outros chorar. Muito pelo contrário, ele se sente bem, útil e valorizado quando faz algo de bom com o que sabe. Marcelo é piadista, brincalhão, entusiasta, enfim, o "cara legal". Tendo crescido em uma família muito problemática e sem sucesso com amigos e pior ainda, com o sexo oposto, ele sofre sozinho, embora procure não demonstrar sua fraqueza para ninguém. Ás vezes ele pode se isolar, se fechar para que não percebam essa fraqueza.

 

A vida dele muda radicalmente quando conhece Caolho e Anarquia. Através do primeiro, ele conhece alguém que pode proporcionar a ele toda a segurança para que ele faça realmente uma diferença no mundo, mesmo que ainda pequena. Com a segunda, Marcelo se apaixona e não sabe lidar com isso. A socialização com essas duas figuras irá permitir a ele ser ele mesmo, coisa que eu muito tempo ele não conseguia diante de outras pessoas.

 

Claro que ainda há outros, mas acho que de começo, os mais importantes são esses.

 

:: Que tipo de desenvolvimento a série terá?

Veremos os mais diversos tipos de casos de corrupção, dos mais básicos aos mais intrincados, dos que afetam menos pessoas aos que afetam mais pessoas. Além disso, Anarquia terá que lidar com o problema da vigilância em massa, que está nos fazendo ir em direção a uma distopia preocupante.

 

No caso de corrupção, basta olhar os jornais, noticiários e portais. É Mensalão, Operação Satiagraha, escândalo das ambulâncias, esse tipo de coisa. Mas ela não apenas investigará para prender os culpados. Os poderoso controlam a polícia, então ela sabe que não tem como contar com essa ajuda. É pedir ajuda a seus inimigos. Então é aí que entra o povo. A pressão popular é demais para qualquer um, mesmo no mais alto trono.

 

Entretanto, o mais alto trono está começando a criar medidas para se proteger e é a vigilância em massa. Isso fará com que as autoridades possam fazer o que quiserem, cometer as maiores atrocidades e não teremos chances de nos levantar contra eles porque saberão de antemão tudo que fazemos, pensamos, sentimos, idealizamos. 

 

O avanço tecnológico está indo tão rápido e de maneira tão avassaladora que já está permitindo que fiquemos de mãos atadas. E o pior: estamos cooperando com isso.

 

O fato de escrever junto com outro roteirista, Carlos Eduardo Corrales, cria contra-pontos interessantes porque temos visões diferentes em alguns pontos sobre essas questões.

 

Em questão de clima, penso muito nos filmes da série Bourne, com Matt Damon com algumas coisas de Inimigo do Estado, com Gene Hackman – cujo personagem nesse filme foi inspiração para o Caolho - e Will Smith. Tem um pouco dos livros Farenheit 451, Adorável Mundo Novo, 1984, entre outros. 

 

:: Quem faz Anarquia?

Eu escrevo os roteiros junto com Carlos Eduardo Corrales, do site Delfos - http://www.delfos.jor.br e os desenhos são do estupendo Adriano Batista, que já trabalhou em Julgle Girl e Queen Sonja, da Dynamite Entertainment. Na arte-final, Carlos Eduardo Ferreira, que já fez diversos trabalhos para a Marvel. Nas cores temos o experiente e aclamado Salvatore Aiala, que já tem quase 30 anos no mercado americano. E nas letras, com Deyvison Manes. 

 

Se quer ver mais sobre os trabalhos da SNP, eis nossa página no Facebook:

https://www.facebook.com/supernovahq

 

No momento estamos com uma vaquinha que pode ser vista aqui:

http://centraldequad...con-experience/

 

 

 







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