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Entropia, Graphic Novel Da Supernova Produções

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#1 emiliobaracal

emiliobaracal

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Posted 23 March 2014 - 10:53 PM

Olá pessoal, tudo bem? 

 

Sei que é grande, mas vale à pena a leitura. Encarem como aquelas entrevistas da Veja ou da Playboy, que são bem longas, normalmente. 

 

(piadas sobre quem lê as entrevistas na Playboy em 3, 2, 1...)

 

Inicio aqui uma série de posts sobre a SNP (para encurtar), que não posto numa postagem só para não ficar grande demais e, portanto, cansativo demais. Já fiz uma postagem sobre a SNP em geral, que é esta aqui: http://centraldequad...nova-producoes/ e uma para cada projeto da SNP. Agora falo da graphic novel one-shot Entropia. 

 

 

:: Agora vamos para Entropia. É baseado no Pain of Salvation, uma banda de metal, não? Como começou isso?

Eu queria contar uma história de redenção misturada com acusação. O que importa é o hoje. Tem dois dias que você não pode fazer nada a respeito: o ontem e o amanhã. O primeiro porque é passado e o segundo porque nada está definido. Então o que importa é o presente, é o hoje. Quem é você hoje? Não quem foi ontem, nem quem será amanhã, mas quem é você hoje? Quem é você no momento? O que está fazendo? O que te define? Claro, suas ações no passado definiram quem é você hoje e o que é você hoje confirma-se no que está fazendo agora. Mas essas ações estão lá, no passado. Sejam boas ou más. O seu eu de 30 anos é bem diferente do seu eu de 15. Outras ideias, outras decisões, outras ações. Nós mudamos, fato. Em algumas coisas, mudamos mais facilmente. Em outras, leva-se um bom tempo. Uma ou outra, nunca mudamos. Mas no todo, somos diferentes.

 

O que sempre me incomodou nisso é como as pessoas reagem a isso. Como elas enxergam isso. E daí, como elas tentam encaixar umas às outras a padrões de visão e comportamento que simplesmente não fazem sentido. O que sempre me incomodou é o fato de que, se você cometer um erro significativo hoje, daqui a 20, 30 anos, algumas pessoas vão fazer questão de continuar lembrando-o desse erro, como se você ainda fosse a mesma pessoa de 20, 30 anos atrás. É como querer culpar alguém de 40 anos pelos erros que cometeu quando tinha 20. Desculpe, mas essa pessoa provavelmente não é mais a mesma. Ela mudou. Há 20 anos está diferente. Com certeza a vida já mostrou a duras penas a ela, o erro que cometeu e com certeza não cometerá de novo. A pessoa em si já se penaliza o bastante por ter cometido um erro. Não precisa ser lembrada. Ela não pode descansar em relação a isso? Tentar ela mesma arcar sozinha com as consequências e lidar com isso?

 

E a pior parte vem agora: todas te acusam, te rotulam, apontam os dedos na sua cara sobre esse (e mais) erros, mas quando elas que erram... são as primeiras a pedir desculpas, a pedir perdão. Quer dizer, você não merece uma segunda chance, mas elas sim? Onde é que elas são melhores do que você para isso? Onde é que está escrito que elas tem esse direito e você não? E o que acontece quando você é acusado de algo que não fez? Quando um grande erro foi cometido, não foi você, mas as pessoas insistem em acusá-lo e sua vida vira um inferno por conta disso?

 

Foi pensando nessas coisas que eu queria contar a história de alguém que fosse íntegro, que tivesse ideais, que tivesse uma linha de pensamento bem humanitária a respeito das coisas. Inicialmente, pensei em um policial. Sabe, a coisa de uma pessoa ter orgulho no que está fazendo, contribuindo para a comunidade, querendo melhorá-la, tentando tornar a vida das pessoas mais segura e fácil. Entretanto, ter um policial assim hoje em dia é quase utópico, talvez? Com tanta sujeira, manter-se na linha, ser um exemplo, é quase impossível. Tento ver o lado deles também. Contra o que precisam lutar. A luta já começa dentro da corporação. Mas hoje em dia, infelizmente, os policiais estão bem sujos, com a imagem bem queimada. As pessoas não veem mais os policiais com bons olhos. E também eu sentia que ainda não tinha chegado no que eu queria em termos de possibilidades.

 

Então pensei que talvez alguém mais influente fosse melhor. Haveria um impacto maior nas pessoas. Teria que ser uma figura que fosse uma inspiração para as pessoas. Que fosse alguém que as pessoas pudessem se identificar com as ideias, que pudessem pegar as ideias dela e as colocassem em prática em suas vidas. Então teria que ser alguém famoso.

 

 

Pensei nas mais variadas profissões, mas daí percebi que estava na minha cara o tempo todo. E isso aconteceu porque o desenhista Felipe Watanabe me disse uma vez que estava muito a fim de fazer uma história com uma pegada rock n’ roll.  Eu já tinha uma amizade de alguns anos com o cantor e guitarrista Daniel Gildenlöw, líder do Pain of Salvation. E as características de personalidade, jeito de ser, pontos de vista, comportamento... tudo se encaixava para o que queria para o personagem e para a história, para a mensagem. Conversei com ele a respeito sobre pegar a banda e fazer uma HQ com ela, falei sobre a história, sobre a mensagem ele topou ceder todas as imagens e músicas para serem usadas no projeto. Então seria uma história com uma banda fictícia, o Zeitgeist, mas baseada no Pain of Salvation. Seus membros são inspirados – mas não são exatamente eles – nos membros do Pain of Salvation.

 

:: E por que preferiu que os personagem não fossem exatamente eles?

Tempo. Daniel é um cara muito ocupado. Somos amigos e temos um contato frequente, mas irregular. Há momentos em que ele responde uma mensagem no mesmo dia e momentos que fica um mês sem responder. E os contatos são bem rápidos. Levando em conta que teria que fazer isso com cinco caras e talvez ainda com uma ou outra pessoa do convívio pessoal deles, demandaria muito, mas muito tempo mesmo.  Se fosse para os personagens serem exatamente eles, demandaria um trabalho muito grande e exaustivo de pesquisa, perguntas, entrevistas e afins. E, acredite, eles – principalmente o Daniel, já que ele é quem faz quase tudo na banda – já são bem ocupados com seus afazeres pessoais e os compromissos com a banda.

 

:: E qual é o enredo de Entropia?

Daniel Carter é líder do Zeitgeist, a mais nova sensação do rock. Eles estão aparecendo em tudo quanto é lugar, estão ficando cada vez mais famosos, ganhando vários prêmios, essas coisas. O mundo está sob os pés deles. E Daniel tem um caráter bem puro, sendo socialmente engajado e querendo despertar uma consciência cada vez maior nas pessoas. Ele faz o possível e o impossível para tornar o mundo um lugar um pouco mais habitável e por isso, não perde a chance de passar suas ideias em entrevistas, nas músicas, nas conversas com fãs, etc. E ele é bem conhecido por esse tipo de atitude também. Isso ajuda muito ele a ser bem querido pelas pessoas em geral. Ele acaba de ficar noivo e as coisas estão indo muito bem. 

 

Na mais recente edição do Grammy, o Zeitgeist está indicado para muitas categorias e eles saem de lá com muitos prêmios, tornando-se de fato a melhor coisa que apareceu no mundo musicalmente nos últimos anos. Claro que, por conta de recordes batidos e afins, há uma festa para comemorar. E nessa festa, ele conhece uma garota, muito fã, uma daquelas “amiga do amigo da amiga do amigo do amigo de fulano” e ela dá em cima dele, que de maneira respeitosa, recusa a investida, mas continuam conversando. Porém, do nada, ele apaga... e acorda em um quarto de motel, com policiais invadindo-o e ao seu lado, na cama, a garota morta por overdose, alguns restos de drogas em alguns cantos. E ele não lembra como foi parar ali. Não lembra o que aconteceu.

 

O mundo de Daniel desaba. A imprensa espalha a história. A mesma mídia que o exaltava agora o condena. Todos os dedos estão apontados para ele. Família decepcionada, noiva sentindo-se humilhada. Fora os problemas com os outros presos na cadeia. Seu advogado está tentando tirá-lo o mais rápido possível, mas está bem complicado.

Daniel então, da cadeia, precisa dar um jeito de provar o mais rápido possível de que ele não matou a garota. E tudo mudará quando ele achar um misterioso objeto dentro da cadeia.

 

Mais do que isso é entregar spoilers.

 

:: Como tudo isso conecta-se com a maneira que Daniel administra a banda e a maneira como ele mesmo é?

Sempre o vi como uma grande inspiração. Não só como artista, mas como pessoa também. Tive o prazer de passar seis meses conversando via e-mail com ele e depois o encontrei pessoalmente pela primeira vez. Isso ajudou a consolidar uma amizade. As redes sociais só aproximaram ainda mais o contato e em como um exerga o outro e, óbvio, principalmente como o vejo. Ele é uma pessoa muito humana, muito pacífica e com atitudes e ideias muito benevolentes. Ele preocupasse com as pessoas, com nossa sociedade. De verdade.

 

Daí, como estava com vontade de contar uma história com a mensagem que falei há pouco, depois que o escolhi como personagem, fiquei imaginando como seria a vida dele caso ele fosse injustamente acusado de algo. Como ele reagiria? Depois de solucionado o problema, ele será a mesma pessoa? Não. Mas então, quais seriam as consequências? E como seria o mundo em relação ao “novo ele”?

 

Acho que isso fala muito sobre como nós somos como sociedade e como seres individuais. O coletivo e o individual. Muita gente diz coisas como “não existem pessoas tão boazinhas”. Realmente pessoas de caráter admirável e boa índole estão cada vez mais raras, mas sempre tenho a sensação de que boa parte das pessoas que usam essa frase como desculpa a usam para não ter que aspirar ser pessoas melhores e poderem cometer sempre os mesmos erros sem grande peso na consciência.

 

Daniel é uma grande e singular pessoa e a maneira de ele falar, agir, pensar e suas filosofias são exatamente aquilo que eu precisava para contar a história, passar a mensagem. Suas letras são enriquecedoras e profundas, exatamente com o tipo de conteúdo que ajuda na história que quero contar.

 

:: Qual foi a reação de Daniel à história?

Ele ficou empolgado. Ao ver os desenhos de Felipe Watanabe, disse: “Nossa, estou mais legal na HQ do que na vida real! Adorei!” – e daí, ele mal espera para ver a HQ pronta. Ele não quis maiores detalhes do enredo porque quer ter o prazer da leitura, quer o ineditismo. Desse modo, ele fica mais concentrado em colaborar na parte administrativa, burocrática e afins. Ele gosta de acompanhar como está o andamento do projeto nessas partes, não interferindo nem um pouco no desenvolvimento da história, do roteiro, da arte.

 

:: E como acha que os fãs da banda podem reagir à HQ?

Tenho que pensar naquela máxima: “Impossível agradar a todos”. Os fãs do Pain of Salvation são muito exigentes e só mesmo alguém como Daniel, que é um gênio musical e conceitual, não consegue. Chega perto, bem perto, acredito, mas sempre tem um ou outro que diz algo como “No álbum novo, não curti isso ou aquilo, mas o resto é sensacional”. E, bem, eu não sou Daniel. Dessa maneira, acredito que haverá gente que irá adorar, gente que achará mais ou menos, gente que odiará, gente que poderá dizer algo como “gostei do roteiro e odiei os desenhos” e vice-versa. Pode haver aqueles que vão achar que podia haver uma conexão mais forte com a banda e suas características assim como outros podem achar os mais diversos easter-eggs, metáforas com os discos e afins.

 

Nenhuma obra é unânime. Sempre haverão pessoas que vão amar e pessoas que vão odiar Stanley Kubrick, pessoas que vão amar e odiar 24 Horas, pessoas que vão amar e odiar Farenheit 451, pessoas que vão amar e odiar Watchmen, pessoas que vão amar e odiar Robert Capa, pessoas que vão amar e odiar David Hume... e pessoas que vão amar e odiar Katinguelê, Calypso ou Regina Casé.

 

Essas coisas me obrigam então a apenas contar a melhor história possível. A melhor história que eu puder imaginar. A melhor maneira que poderia misturar Pain of Salvation com quadrinhos. É amor por duas coisas: quadrinhos e a banda. É amor que estará contido ali. Antes de mais nada, também sou fã da banda, afinal de contas.

 

:: E as músicas? Como você as usará na história?

Fiz uma seleção do que queria usar, baseado nas letras, em como elas se encaixam com o enredo. Algumas delas já existirão no presente da história, outras Daniel irá escrever conforme a trama avança. Há uma maior liberdade em não ser extremamente fiel ao material original do Pain of Salvation no sentido de que a banda na vida real tem uns 9 ou 10 álbuns de estúdio, enquanto que o Zeitigeist está em seu segundo álbum. Então tive que escolher músicas que preenchessem dois álbuns fictícios, mas feitos com músicas reais e de modo que combinassem entre si, que as temáticas fizessem sentido para a história.

 

Músicas como “Kingdom of Loss”, “Innocence”, “Undertow”, “The Big Machine” e “Iter Impius” são algumas que posso revelar que marcarão presença no enredo, tendo importância fundamental de uma forma ou de outra.  

 

:: Quem faz Entropia?

Eu escrevo os roteiros. Os desenhos são do novo talento internacional Felipe Watanabe, que trabalha para a editora americana Boom! Studios. Na arte-final, Carlos Eduardo Ferreira, que já fez diversos trabalhos para a Marvel. Nas cores temos outro novo talento, Nas cores tem o Salvatore Aiala, que tem quase 30 anos de mercado. E nas letras, com Deyvison Manes. 

 

Se quer ver mais sobre os trabalhos da SNP, eis nossa página no Facebook:

https://www.facebook.com/supernovahq

 

No momento estamos com uma vaquinha que pode ser vista aqui:

http://centraldequad...con-experience/

 







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